Um verdadeiro vale tudo para blindar Temer: Partidos aliados intensificam trocas de deputados em busca de apoio a Temer em comissão

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A base aliada do governo Michel Temer está fazendo substituições de integrantes da Comissão de...

A base aliada do governo Michel Temer está fazendo substituições de integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para garantir que o relatório favorável ao prosseguimento da denúncia por corrupção passiva contra o presidente não seja aprovado.

Foram realizados vários remanejamentos no colegiado desde 26 de junho, quando o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou acusação formal por corrupção contra o presidente no Supremo Tribunal Federal (STF).

Nos últimos 15 dias, nove titulares foram trocados: quatro do PR, um do Solidariedade, um do PMDB, um do PSD, um do PTB e um do PRB. Também houve troca de suplentes.

Nesta terça, há ainda mais uma substituição prevista: o deputado Beto Mansur (PRB-SP), vice-líder do governo, disse que vai entrar no lugar de Lincoln Portela (PRB-MG). As discussões do relatório começam na próxima sessão da comissão, na quarta-feira (12).

Deputados de partidos da base que foram retirados da CCJ afirmam que houve compra de votos. “Soube através da imprensa que fui tirado. Me venderam. Fui vendido. Nojento isso. É barganha, é barganha. Sabe o que é barganha para se manter no governo?”, afirmou o deputado Delegado Waldir (PR-GO).

O deputado Major Olímpio (SD-SP) questionou a validade das mudanças e foi vaiado por integrantes da base aliada. “Quem está vaiando está recebendo carguinho para vaiar”, bradou.

Na segunda (10), o líder do governo na Câmara, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), contestou as críticas às substituições e afirmou que elas são um sinal de que a base governista “continua em marcha unida”.

“Diferente daquilo que está sendo apregoado, a base está caminhando junto e no caminho de fazer aquilo que é necessário na avaliação de cada partido, de cada líder para consolidar esse momento dessa crise que nós estamos vivendo”, disse.

Para conseguir rejeitar o parecer de Zveiter, o governo precisa de pelo menos 34 dos 66 votos na comissão. Segundo Aguinaldo Ribeiro, o Palácio do Planalto conta com cerca de 40 votos.

“A avaliação das trocas cabe a cada líder partidário. Eu tenho a convicção de que nós vamos ter o número aqui na comissão para rejeitar o prosseguimento da abertura de denúncia”, afirmou.

Já o líder do PR na Casa, José Rocha (BA), afirmou que as substituições estão sendo feitas a pedido dos próprios membros que não estão se sentindo confortáveis em votar contra a denúncia.

“Estamos fazendo a substituição a pedido dos próprios membros que não estão se sentindo confortáveis em votar contra a denúncia”, disse. “Não há uma instrução (do partido). Eles estão entrando porque se sentem confortáveis para votar contra a denúncia”.

Parecer favorável

Na terça-feira (11), o relator Sergio Zveiter (PMDB-RJ) recomendou o prosseguimento da denúncia contra o presidente.

Para a oposição, o fato de o parecer contra Temer ser de um deputado do PMDB, partido do presidente, é significativo. “É um relatório muito consistente que fecha com uma denúncia também extremamente sólida do procurador-geral. Lógico que há aquela surpresa de ser alguém do PMDB“, disse o deputado Henrique Fontana (PT-RS).

O líder do PMDB, o deputado Baleia Rossi, negou que haja uma movimentação na Câmara para expulsar o relator. Ele afirmou que esse é um assunto para a executiva do partido e apresentou um voto em separado, ou seja, um parecer contrário ao do colega do PMDB.

“A verdade é que o deputado Zveiter fez um relatório que representa o pensamento dele, não da bancada. A bancada entende que a denúncia é inepta, que não há provas contra o presidente e votará unida, sim “, disse.

Qualquer que seja o resultado da votação na CCJ, no entanto, o relatório será enviado para análise do Plenário da Câmara, que decidirá se dá aval ou não ao prosseguimento da denúncia por corrupção passiva feita contra Temer pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Para que a denúncia possa prosseguir no Supremo Tribunal Federal (STF), ao menos 342 deputados terão de votar a favor.

O Palácio do Planalto não se pronunciou após a apresentação do relatório. O advogado de Temer, Antônio Cláudio Mariz, disse que o presidente está “sereno” mas “amargurado”.

“O presidente está sereno, ele é um homem calmo mas obviamente ele está amargurado. Não é fácil passar pelo que ele está passando. É um homem com 50 anos de vida pública, tem uma carreira e nunca houve uma nódulo, nenhum tipo de acusação e de repente em um ano ele virou um chefe de quadrilha. Que quadrilha? cadê a materialidade do crime?”, disse Mariz à Rádio Gaúcha. (G1)

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