O silêncio de Bolsonaro

O governador Paulo Câmara (PSB) foi o primeiro dos 27 chefes estaduais a pedir audiência ao presidente Jair Bolsonaro. Ele protocolou logo no primeiro dia útil, mas até agora não houve retorno. Sequer, diga-se de passagem, uma justificativa para o silêncio. Ao seu estilo, o presidente ainda não desceu do palanque, tratando adversários a ferro e fogo. Câmara tem uma extensa pauta de assuntos emergenciais que dependem da boa vontade da União.

Em Suape, o esvaziamento do estaleiro Atlântico Sul é uma dura realidade. Já teve um quadro formado por cerca de 11 mil funcionários em 2011, hoje não tem mil, reflexo da falta de encomendas de navios. Já a refinaria Abreu e Lima, que também está no atoleiro, aparece na lista das oito que serão privatizadas. Além disso, tem o imbróglio da BR-232, que continua sob o controle da União, embora o dinheiro investido na duplicação tenha saído da arrecadação da venda da Celpe.

Ele pretende também debater a continuidade de projetos para o desenvolvimento social, econômico e hídrico de Pernambuco, como a conclusão de obras da Transposição do Rio São Francisco e da Transnordestina, e sobre a situação da Chesf. “A eleição passou, acabou. Agora temos que trabalhar muito por Pernambuco. Pernambuco precisa de parcerias, não apenas com o Governo Federal, mas também com a sociedade civil e com a iniciativa privada”, diz o governador.

É possível que o presidente apareça em Pernambuco antes de receber o governador em Brasília. O líder do Governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB), está coordenando a programação da visita com o próprio Bolsonaro. A passagem pelo Estado está inicialmente marcada para maio, com agenda na Região Metropolitana e no Agreste. O elementar, entretanto, era o presidente chamar antes o governador para uma conversa.

Fernando Bezerra, vale lembrar, já foi aliado do Governo do Estado, mas hoje não tem canal nem interlocução com o governador. Se não bastasse essa dificuldade, o PSB fechou questão contra a reforma da Previdência, sob a anuência de Paulo Câmara. Isso pode azedar ainda mais a relação de Pernambuco com a União.

Do blog do Magno.

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