VÍDEO: Gol contra na Copa dos EUA levou ao assassinato de zagueiro da Colômbia; crime completa 32 anos
O retorno da Copa do Mundo aos Estados Unidos em 2026 faz lembrar, é claro, da edição de 1994, também disputada no país norte-americano. Mas nem todas as notícias daquele Mundial foram positivas. Há 32 anos, dez dias depois de fazer um gol contra que eliminou a Colômbia, o zagueiro Andrés Escobar foi assassinado. A história se conecta com um conturbado período de influência do narcotráfico na história colombiana.
Andrés Escobar fez quase toda a sua carreira pelo Atlético Nacional, um dos clubes que cresceu sob a influência do “narcofútbol” de Pablo Escobar nos anos 1980. Apesar do mesmo sobrenome, os dois não possuíam ligação ou parentesco.
A seleção colombiana estreou com derrota por 3 a 1 para a Romênia e, por isso, o duelo contra os Estados Unidos ganhou ainda mais peso. O que ninguém esperava, no entanto, é que Andrés Escobar mandaria contra o próprio gol.
Escobar tentou cortar um cruzamento, mas acabou mandando contra a própria meta e marcando o primeiro gol dos Estados Unidos. Stewart ampliou para os anfitriões e Valencia descontou, mas a Colômbia não conseguiu a reação.
A derrota por 2 a 1 marcou a eliminação precoce da seleção sul-americana no Mundial.
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“A vida não acaba aqui”
Dias depois, o zagueiro assinou uma coluna no jornal El Tiempo, de Bogotá, lamentando a falta de “bravura” da seleção da Colômbia. Entre os parágrafos, tentou amenizar a tristeza do povo colombiano com uma frase que não pôde aplicar a si próprio: “A vida não acaba aqui”.
— Fica uma sensação amarga porque sentimos que se desperdiçou uma grande oportunidade de consolidar o progresso do futebol colombiano. (…) Quero dizer que este foi um grupo muito unido e trabalhador, que tolerou muitas coisas para realizar este trabalho — escreveu Andrés Escobar em coluna do dia 29 de junho de 1994, que segue:
— Devemos ser galantes na vitória, mas ainda mais na derrota. (…) Quero dizer que foi uma oportunidade e uma experiência fenomenal, única, que eu jamais havia sentido na vida. Até logo, porque a vida não acaba aqui.
De volta a Medellín, Andrés Escobar foi alvo de provocações no estacionamento de um restaurante na madrugada de 2 de julho. O zagueiro se envolveu em bate-boca com dois nomes ligados ao narcotráfico da Colômbia: Santiago Gallón Henao e seu irmão, Pedro.
Conforme relatos da imprensa local, o primeiro golpe veio pelas costas, acompanhado da frase “obrigado pelo gol contra”. Humberto Muñoz Castro, motorista da dupla, foi quem efetuou os disparos. O pai e os irmãos de Andrés Escobar, que haviam viajado para o Mundial, ainda estavam nos Estados Unidos no dia do crime.
O motorista foi condenado a 43 anos de prisão em 1995, mas foi libertado dez anos depois após uma redução da pena. Os irmãos passaram 15 meses na prisão por cumplicidade, sem nunca terem sido levados a julgamento.
Santiago Gallón Henao foi assassinado no México em fevereiro de 2026. Ao comentar o crime, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou que a morte de Andrés Escobar “acabou com a imagem internacional” do país.
A Colômbia joga nesta sexta-feira pela segunda fase da Copa do Mundo, contra Gana, às 22h30.
Fonte: ge
