IDEB: Avanço ou retrocesso à educação brasileira? Números são confiáveis? Por que políticos usam como discursos?

O IDEB é uma medida problemática, pois mistura fluxo com desempenho, é uma prova pontual onde uma sala de aula pode ser incluída no teste com apenas 50% da presença dos estudantes no dia da prova, não divulga índices de confiabilidade e nem relatório decente tem etc.

Embalados pelas teorias de responsabilização que apostaram que “só de haver medição nas escolas” já haveria melhoria, deixamos de colocar a atenção nos fatores intra-escolares (cerca de 20%) que têm impacto na aprendizagem, apesar do peso que os fatores extra-escolares jogam (até 60%). E quando o fizemos apelamos para processos de padronização metodológica (pressão por índices nas escolas, apostilas, simulados etc.) que podem produzir “voo de galinha” nos índices, mas sem sustentação a longo prazo.

Estamos forçando as escolas a colocar todo seu esforço na produção da nota do exame, como se nota alta no IDEB fosse sinônimo de boa educação. No entanto, o sistema pode estar entrando em exaustão, colocando as escolas e seus profissionais sob suspeita permanente, incentivando fraudes, treinando para responder a testes, inclusive porque o dado da nota em um exame está longe de conseguir explicar a realidade das escolas. A própria pressão sobre as escolas feita pelos estados com suas políticas de responsabilização tem seu limite na realidade concreta das escolas. (blog do Freitas)

O IDEB tem sido tema não raro na mídia nacional e tem provocado discussões a respeito de sua confiabilidade e legitimidade para medir a qualidade da educação básica, bem como sua contribuição para melhorá-la. Atualmente, o IDEB tem referendado discursos de políticos que o usam para legitimar hipotéticos avanços ou retrocessos na educação; é comum enxergar a presença do IDEB servindo como pano de fundo para justificativas políticas de como determinado nível de ensino tem evoluído, com base nos aumentos do índice do IDEB. Por outro lado, quando os índices regridem, discursos se avolumam no intuito de apontar falhas políticas que contribuíram para tal queda. (Polêmica).

Sabemos da importância dos resultados do IDEB. Mas são seria uma caixa preta da educação, por que não conseguimos saber de fato se o ensino público melhorou, ou piorou. Na pratica, realmente houve esses avanços?

A veja publicou em fevereiro desde ano, que o Brasil é um dos dez países com mais alunos com baixo rendimento escolar em matemática, leitura e ciência, segundo relatório divulgado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris, que avaliou a situação de 64 nações.

De acordo com o levantamento, 1,1 milhão de estudantes brasileiros com 15 anos não têm capacidades elementares para compreender o que leem nem conhecimentos essenciais de matemática e ciências. Ao mesmo tempo, o relatório revela que o Brasil é um dos países que mais reduziram o número de alunos sem conhecimentos básicos de matemática.

Dos 2,7 milhões de alunos de 15 anos avaliados no Brasil, 1,9 milhão tinham dificuldades em matemática básica, 1,4 milhão em leitura e 1,5 milhão em ciências. Cruzados, os números indicam que 1.165.231 estudantes tinham dificuldades em cumprir tarefas básicas nas três áreas de conhecimento.

Outra constatação do estudo é de que o Brasil está no “top 10” de países mais desiguais do mundo no que diz respeito à diferença de desempenho entre estudantes de classes sociais altas e baixas.

Na área matemática, 67,1% dos alunos brasileiros estão abaixo do nível 2 (os níveis são de 1 a 6). Os últimos patamares são alcançados apenas por 0,8% dos estudantes brasileiros. No ranking, o país fica em 58º lugar, somando 391 pontos na escala do PISA, contra uma média de 494 pontos obtidos por estudantes que vivem em países-membros da OCDE, entidade composta por 34 nações.

A educação brasileira vive um momento delicado muito grande, para piorar ainda mais a situação, estamos vendo políticos se aproveitando dos números. O governador Paulo Câmara aproveitou o resultado para engrandecer sua gestão, o mesmo usou vários meios de comunicações para dar publicidade a nova colocação ocupada pelos pernambucanos, O NÚMERO UM. Na pagina oficial da Secretaria de Educação de Pernambuco, um dos seguidores fez o seguinte comentário: “Se Pernambuco é o melhor o Brasil tá no fundo do poço.”

Na verdade, independente do resultado do IDEB. Como anda a educação do seu município? Do seu estado? Do seu pais? Realmente devemos festejar com o resultado? Como está o nível de conhecimentos das nossas crianças em matemática, linguagens e ciências afins?

Everaldo

Licenciado em Física pelo Instituto Federal do Sertão Pernambucano. Professor de matemática e física do Ensino fundamental e médio da rede estadual de Pernambuco. Jornalista registrado sob o número 6829/PE, o blogueiro Everaldo é casado com Amanda Scarpitta e tem como foco: informação com responsabilidade e coerência.

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2 Resultados

  1. Adão disse:

    E vc blogueiro, o que acha? IDEB alto pode ser retrocesso! E IDEB baixo, ê avanço!? Reflita!!!

  2. Adão disse:

    Trazer um texto desse é de grande responsabilidade, principalmente num momento em que bandeiras estão sendo defendidas até mesmo por alguns meios de comunicação. Se IDEB em alta pode ser retrocesso, e IDEB baixo? O que dizer? Será se devemos chamar de avanço!? O que essa gestão falta fazer pra provar que foi bem na educação? Acho que é somente pegar alguns críticos e levar de volta pra sala de aula, se é que já foram algum dia!!! Só assim irão ver boa escola, bons conteúdos e bons professores!!!!!!!!!!!!!!!!

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