Em reunião com diplomatas, Flávio Bolsonaro ataca urnas eletrônicas com acusações já desmentidas pelo TSE

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, atacou as urnas eletrônicas com acusações já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (21).
Em reunião com diplomatas, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que as urnas eletrônicas brasileiras têm a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic e que um relatório da CIA mostra que a empresa estaria envolvida em um plano de fraude do governo venezuelano nas eleições de 2012.
O TSE já desmentiu que utilize urnas eletrônicas da empresa venezuelana. Em 2017, o TSE publicou uma nota esclarecendo que as urnas não eram fornecidas pela empresa. (Veja mais detalhes aqui)
“Há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela, inclusive utilizando uma documentação do próprio serviço de inteligência americano, a CIA, apontando sobre a possibilidade de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação. E uma das suspeitas é que uma empresa chamada SmartMatic, de origem venezuelana, é que tenha, uma das suspeitas é que tem havido uma programação para alteração das votações naquele país nas eleições de 2010, se não me engano”, disse Flávio.
Flávio deu a declaração em um encontro com representantes de quase 50 países e organizações internacionais no “Debatendo o Brasil”, série de eventos reservados entre pré-candidatos à Presidência e representantes estrangeiros promovida pela Novo Selo Comunicação em parceria com o The Brazilian Report, veículo jornalístico em inglês voltado à cobertura do Brasil para o público internacional.
Durante sua fala, Flávio afirmou que não estava questionando o sistema de votação brasileiro, mas pediu para os países enviarem uma quantidade maior de observadores eleitorais.
“Então o pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para as nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e como o Brasil pode dar ter eleições mais seguras e transparentes”, afirmou.
Ainda em 2017, o TSE afirmou que a atuação da Smartmatic nas eleições brasileiras se deu apenas “no recrutamento, contratação e treinamento de aproximadamente 14 mil profissionais, que trabalharam no suporte técnico-operacional das eleições de 2014”. “Em nenhum momento a empresa Smartmatic atuou na programação das urnas eletrônicas, como foi inferido pelo autor da nota.”
A empresa celebrou contratos com o TSE em outras ocasiões, mas para prestação de serviços de conexão de dados e voz, não para elaboração de urna eletrônica, segundo o tribunal.
A Smartmatic participou de um consórcio que disputou o processo licitatório para a fabricação de urnas eletrônicas neste ano, mas perdeu para a empresa Positivo. As empresas fornecedoras de urnas eletrônicas no Brasil desde o primeiro modelo foram Unisys (1996), Procomp Indústria Eletrônica Ltda (1998), Diebold (2000), Unisys (2002) e Diebold novamente (2004, 2006, 2008, 2009, 2010, 2011, 2013 e 2015).
Vale lembrar que o sistema da urna eletrônica é offline, ou seja, não tem acesso à internet, e é criptografado. Além disso, as urnas são passíveis de auditoria.
Do g1
