Bolsonaro mente ao dizer que não tem foto com Roberto Jefferson e diz: ‘O tratamento dispensado a quem atira em policial é o de bandido’

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse neste domingo (23) que não tem foto com o ex-deputado federal Roberto Jefferson, apesar dos registros feitos no Palácio do Planalto.
A declaração do presidente foi feita durante uma transmissão ao vivo (live) em seu canal no YouTube, após Jefferson atirar em policiais federais, que tentavam cumprir mandado de prisão ordenado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
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Roberto Jefferson em foto ao lado do presidente Jair Bolsonaro postada em 14/04/2021 — Foto: Reprodução/Twitter
Durante a transmissão ao vivo, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, afirmou que o deputado federal André Janones (Avante-MG) “mente” ao dizer que “o Roberto Jefferson era um dos coordenadores da campanha do presidente Bolsonaro”. Faria continuou: “Nunca foi coordenador, até porque ele era pré-candidato, teve uma candidatura indeferida ali, era candidato contra”.
Bolsonaro, então, interrompe Faria e fala: “Não tem uma foto dele comigo. Não tem nada”. O ministro das Comunicações endossa o presidente: “Não tem uma foto, não tem contato”.
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Roberto Jefferson e Jair Bolsonaro em foto postada no Twitter em 2020 — Foto: Reprodução/Twitter
Nos perfis oficiais nas redes sociais de Jefferson e do PTB, partido que ele foi presidente, é possível encontrar fotos de encontros entre o ex-deputado federal e o presidente Jair Bolsonaro. Essas imagens foram feitas no Palácio do Planalto.
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Bolsonaro e Roberto Jefferson em foto postada em abril de 2021 — Foto: Reprodução/Instagram
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O presidente Jair Bolsonaro posa para foto com Roberto Jefferson e a então presidente do PTB, Graciela Nienov, em foto postada em maio de 2021 — Foto: Reprodução/Instagram
Jefferson se entrega
O ex-deputado Roberto Jefferson se entregou à polícia na noite deste domingo (23) após atacar policiais federais e passar 8 horas desrespeitando ordem do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ele jogou três granadas e deu tiros de fuzil em agentes que foram cumprir o mandado de prisão em sua casa, na cidade de Comendador Levy Gasparian, no interior do Estado do Rio de Janeiro. Jefferson é aliado do presidente da República e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL).
O ex-deputado será levado à sede da PF, no Centro do Rio de Janeiro. Depois seguirá para o Instituto Médico Legal, para exame de corpo de delito, e para Bangu 8.
Veja os principais pontos sobre o ataque:
- Jefferson cumpria prisão domiciliar, determinada no inquérito sobre uma organização criminosa que atenta contra o Estado Democrático de Direito.
- Ele descumpriu várias medidas da prisão domiciliar, como passar orientações a dirigentes do PTB, usar as redes sociais, receber visitas, conceder entrevista e compartilhar fake news que atingem a honra e a segurança do STF e seus ministros, como ao ofender a ministra Cármem Lúcia.
- Por causa de todos estes descumprimentos, Alexandre de Moraes revogou a prisão domiciliar e determinou sua volta ao regime fechado.
- Neste domingo (23), a Polícia Federal foi cumprir a ordem de prisão e foi atacada por Roberto Jefferson com granadas e fuzil – mesmo que ele não tenha direito de portar arma de fogo. Dois agentes foram feridos. A PF revidou o ataque, mas não invadiu a casa do ex-deputado.
- Jair Bolsonaro repudiou as ofensas a Cármem Lúcia e a ação armada, mas criticou o inquérito do STF e determinou a ida do ministro da Justiça, Anderson Torres, ao local. A presença do ministro foi um pedido do próprio Roberto Jefferson, informa o colunista Valdo Cruz.
- Apoiadores de Jair Bolsonaro foram para a porta da casa de Roberto Jefferson e hostilizaram a imprensa que está no local. Um repórter cinematográfico foi agredido.
- Ele se entregou após 8 horas descumprindo a decisão do STF.
Após a prisão, Moraes se manifestou no Twitter:
“Parabéns pelo competente e profissional trabalho da Polícia Federal, orgulho de todos nós brasileiros e brasileiras. Inadmissível qualquer agressão contra os policiais. Me solidarizo com a agente Karina Oliveira e com o delegado Marcelo Vilella que foram, covardemente, feridos.”
O presidente Jair Bolsonaro (PL) também comentou o desfecho do caso:
“Como determinei ao ministro da Justiça, Anderson Torres, Roberto Jefferson acaba de ser preso. O tratamento dispensado a quem atira em policial é o de bandido. Presto minha solidariedade aos policiais feridos no episódio.”
Agentes feridos
Roberto Jefferson resistiu à prisão e, de sua casa, fez os primeiros disparos — teriam sido arremessadas 3 granadas e dados 2 tiros de fuzil. Os agentes, então, revidaram.
Dois policiais foram feridos por estilhaços, sem gravidade. O delegado Marcelo Vilella, que teria sido atingido na cabeça e na perna, e a policial Karina Lino Miranda de Oliveira, de 31 anos, ferida na cabeça. Os dois foram atendidos em um hospital da região e já tiveram alta.
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Roberto Jefferson ataca policiais federais — Foto: Arte/g1
Jefferson confirmou os disparos, mas disse, antes de se entregar, que não foram direcionados aos agentes. “Não atirei em ninguém para pegar. Atirei no carro e perto deles.”
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Carro da Polícia Federal atingido por tiros de fuzil — Foto: Reprodução
Do g1.
