Os números controversos da pesquisa Real Time Big Data
O mais recente levantamento da Real Time Big Data para o Governo de Pernambuco levanta questionamentos sobre a consistência de seus resultados e a rapidez incomum de sua apuração para a divulgação. O fato de a pesquisa ter sido publicada no exato dia em que a coleta de dados foi encerrada, 08 de abril, alimenta debates sobre a profundidade da análise dos dados colhidos.
Especialistas apontam que essa celeridade pode servir mais à criação de um fato político imediato do que a uma leitura ponderada das nuances do eleitorado, especialmente quando os números apresentam disparidades marcantes entre os diferentes modelos de pergunta.
A aplicação da pesquisa sugere um favorecimento estatístico ao candidato João Campos (PSB) ao priorizar o cenário “estimulado”, onde ele lidera com 50% contra 33% de Raquel Lyra. No entanto, esse dado entra em choque direto com a modalidade “espontânea”, na qual a diferença entre os dois desaba para apenas 3 pontos percentuais (21% a 18%), indicando um empate técnico dentro da margem de erro.
Além disso, a pesquisa parece subestimar o potencial de crescimento da governadora Raquel Lyra. Mesmo com sua gestão sendo aprovada por 51% dos pernambucanos, a pesquisa estimulada a coloca com apenas 33% das intenções de voto, uma discrepância difícil de explicar sem considerar uma possível tendência do questionário em consolidar o nome de Campos antes que a campanha oficial equilibre a exposição dos candidatos. A combinação de uma divulgação apressada com uma amostra concentrada em estratos onde o PSB é tradicionalmente forte levanta dúvidas sobre a neutralidade do retrato eleitoral apresentado.
Vale ressaltar que a pesquisa foi encomendada pela TV Record, a única emissora do país que divulgou a narrativa de que secretários ligados ao ex-prefeito não poderiam ser investigados em suspeita de corrupção na Prefeitura do Recife.
Raquel cresce mesmo com mudança e suposto favorecimento de Campos
A comparação entre os levantamentos feitos pelo Real Time Big Data de fevereiro e abril de 2026 revela mudanças metodológicas e uma tendência de estreitamento na disputa. A primeira grande diferença é o tamanho da amostra: a pesquisa de fevereiro realizou 2.000 entrevistas, enquanto a de abril reduziu esse número para 1.600 eleitores. Além disso, houve uma redução na distância entre os candidatos no cenário de confronto direto, que caiu de 19 pontos percentuais em fevereiro (55% a 36%) para 12 pontos em abril (52% a 40%). Outro ponto relevante é o crescimento da aprovação da gestão de Raquel Lyra, que subiu de 49% para 51% no período.

