2º deputado mais votado do clã do Bolsonaro é preso no RJ; ele seria senador e a mãe de Flávio suplente

Preso nesta quinta-feira (15) na oitava fase da Operação Unha e Carne, Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo e segundo deputado estadual mais votado do RJ nas eleições deste ano, é apontado pela Polícia Federal como “patrono político” e articulador de uma organização criminosa que usava postos de combustíveis para lavar dinheiro.
A investigação também descreve conexões com milícias e com o Comando Vermelho e identifica relações entre operadores do grupo e empresas contratadas pela Prefeitura de Belford Roxo. A defesa de Canella informou que não vai se pronunciar até ter acesso aos autos.
No início do ano, ele havia renunciado ao cargo de prefeito de Belford Roxo para se candidatar ao Senado. Também foi detido o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual da Polícia Civil.
Os dois são investigados por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e formação de cartel, entre outros crimes. Segundo a investigação, Canella é apontado como o articulador do grupo criminoso.
Em 24 de abril, ele publicou em seu perfil no Instagram uma foto ao lado do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) com a seguinte legenda: “Vamos juntos, futuro Presidente Flávio Bolsonaro! Será uma honra ter a Dona Rogéria Bolsonaro na nossa chapa como a minha primeira suplente. Juntos, trabalharemos muito pelo nosso Estado e pelo Brasil”.

A Rogéria Citada por ele é Rogéria Nantes Braga Bolsonaro, mãe de Flávio Bolsonaro e ex-mulher de Jair Bolsonaro. Em 23 de junho, Canella publicou uma foto ao lado dela, também no Instagram, escreveu: “Conversando sobre o nosso Estado com a minha amiga, Rogeria Bolsonaro. Vamos pra cima!”. Na seção de comentários, vários seguidores responderam à publicação, citando a candidatura ao Senado.
Rogéria foi exonerada no dia 1º de julho do cargo de assessora na Secretaria de Ciência e Tecnologia do governo do Rio de Janeiro. Na ocasião, ela e integrantes do PL anunciaram a mãe de Flávio como suplente de Canella, que seria lançado ao Senado, como relatado à época em reportagem do jornal “O Globo”.
No fim de julho, Rogéria anunciou que seria candidata a deputada federal, posto para o qual não se elegeu.
No dia 7 daquele mês, quando Canella foi preso em flagrante por posse ilegal de arma, após agentes da PF encontrarem um fuzil de calibre restrito no carro, lideranças do PL consideraram inviável a sua candidatura ao Senado, como mostrou reportagem do “Valor”. Ele optou por se candidatar a deputado estadual, cargo pelo qual se elegeu nas eleições de 2026.
