Derrota de Jorge Messias expôs fraqueza de Lula, isola André Mendonça no STF e fortalece centrão, Alcolumbre e Moraes
Jorge Messias está indignado com o que chama, a interlocutores, de “golpe” do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, para derrotá-lo — e vê também, nos bastidores, atuação do ministro Flávio Dino.
Embora não apareça formalmente no centro da operação, Alexandre de Moraes surge como personagem decisivo no movimento conduzido por Davi Alcolumbre. O ex-advogado-geral da União indicado por Lula para ocupar o cargo de ministro do STF atua agora para mapear o que considera uma operação articulada para derrubá-lo. Ao mesmo tempo, uma ala do governo já entrou em modo “guerra” para reagir.
Alcolumbre e Moraes: uma relação antiga de confiança
Davi Alcolumbre é o mais próximo senador do ministro do STF. Os dois, além de Rodrigo Pacheco, são amigos de longa data. Jantam juntos em Brasília e se frequentam com intimidade.
O caso Master alterou o equilíbrio político
O ato só foi possível graças ao caso do Banco Master. O escândalo fez o vento da política virar. Moraes viu sua vulnerabilidade crescer quando seu antagonista André Mendonça foi alçado à condição de relator do caso. Levar Messias ao STF era, dentro desse contexto, uma possibilidade de fortalecer aquele que gostaria de esclarecer as circunstâncias do contrato da esposa do ministro. Mendonça era um dos padrinhos de Messias no STF, e foi para casa dele que Messias foi após se encontrar com Lula na noite da derrota para juntar os cacos e contabilizar as traições.
A resistência ao nome de Jorge Messias já existia
É bem verdade que Alexandre considerou um equívoco a indicação de Lula antes mesmo de o Master eclodir. E já dizia lá atrás que Messias iria perder. Preferia ver Pacheco, seu outro amigo, engrossando as fileiras de aliados na corte.
A negociação: barrar Messias em troca de concessões
Mas quando o Master surgiu atropelando tudo, esse objetivo ficou ainda mas premente. Era hora de barrar. Mas, para barrar, era preciso que a redução das penas passasse em troca de duas coisas: o enterro da CPI do Master e a dosimetria.
Um recuo de Moraes
Foi assim que o chamado “herói da resistência” ao golpe abençoou um revés a si mesmo.
Isolamento de André Mendonça
Sem Messias, o ministro André Mendonça segue em parcial isolamento e em clara minoria.
Alianças improváveis em Brasília:
O episódio mostrou um mundo invertido em Brasília, no qual antigos aliados — governo e Alexandre— transformaram-se em rivais. E tradicionais antagonistas — André Mendonça e um ministro de Lula (Messias), além de Alexandre de Moraes e Flávio Bolsonaro, por intermédio de Alcolumbre — transformaram-se em aliados de ocasião.
A traição como moeda política:
O artigo mais frequente da política — a traição — desfilou sem inibição por esses dias: Messias foi traído por gente até então próxima ao próprio governo. Mendonça foi traído por amigos da bancada evangélica que lhe prometeram votos a favor de Messias minutos antes da votação, mas entregaram a cabeça do candidato da mesma fileira religiosa, mostrando que o voto evangélico se rendeu aos interesses do stablishment.
Votos motivados por interesses diversos:
No arsenal de votos contrários ao governo, teve de tudo, porém. Teve desafeto de Messias, teve gente incomodada com Lula por diferentes razões.
A percepção de fraqueza de Lula:
Mas esse strike contra Lula só foi possível graças à convicção do centrão e de parte do STF de que Lula está politicamente morto, em viés de derrota nas eleições.
O fator imprevisível da política:
Mas como a política não é escrita em linha reta, se o presidente da República se recuperar e sair de outubro vitorioso, tudo pode mudar de novo.
Do g1

