O preço das derrotas de Lula: Alcolumbre negociou com direita e o centrão a reeleição para comando do Senado
As articulações para derrotar o presidente Lula em sua indicação ao Supremo passaram pelo compromisso da direita e do Centrão de apoiar a reeleição de Davi Alcolumbre à presidência do Senado por mais dois anos (2027/2028).
A direita e o centro-direita já têm maioria na Casa e se organizam para ampliar ainda mais esse domínio a partir do próximo ano. A eleição para o Senado é considerada estratégica por diferentes correntes políticas, já que cabe aos senadores analisar pedidos de impeachment de ministros do Supremo.
Alcolumbre vinha segurando todas as solicitações nesse sentido, mas deu ontem uma demonstração de que suas convicções são elásticas.
O senador já presidiu o Congresso duas vezes. O primeiro mandato foi entre 2019 e 2021. O segundo termina em fevereiro de 2027. A reeleição é permitida, nesse caso, porque se trata de nova legislatura.
O atual mandato à frente da Casa consolidou o poder de Alcolumbre — 73 dos 81 senadores o escolheram para comandar o Senado, da esquerda, passando pelo Centrão, centro e direita, teve votos em todas as correntes.
O governo Lula apoiou sua recondução.
A força de Alcolumbre se manifesta na forma como conduz o Senado. Ele atende às demandas dos colegas por cargos, emendas e outros interesses.
Na lógica do “servir bem para servir sempre”, garantiu, ao impor derrota a um Lula desgastado, com chance de perder a reeleição, e a um governo mal avaliado, mais dois anos no comando da Casa.
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