Trump vai tentar influenciar eleições no Brasil, mas pode prejudicar a direita’, diz especialista americano

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai continuar “se metendo” nos países da América Latina depois da operação militar que resultou na prisão de Nicolás Maduro, no último sábado (3/1).
Mas as ações de Trump não serão iguais para todos porque cada país tem um peso global e uma conjuntura interna diferentes. A avaliação é de Erick Langer, professor de história na Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos.
Em entrevista à BBC News Brasil, o professor diz que “Trump quer criar uma colônia econômica na Venezuela”, com foco na extração de petróleo por empresas dos Estados Unidos.
Segundo o especialista, o presidente dos Estados Unidos quer dominar todo “o hemisfério americano” e buscará influenciar as eleições presidenciais brasileiras neste ano.
“Mas vai acabar prejudicando a direita porque o nacionalismo falará mais forte”, pontua. “O Brasil é o grande contrapeso” contra as investidas de Trump, acrescenta.
BBC News Brasil – E em relação às eleições no Brasil? Na sua opinião, pode ocorrer alguma forma de influência de Trump?
Erick Langer – Com certeza. Não tenho a menor dúvida. E acho que a interferência dos Estados Unidos na vida política brasileira não vai favorecer os partidos da direita, porque isto servirá como arma para o nacionalismo dos demais.
E claro que, se Lula continuar sendo forte e se continuar assim, muito contido com o que aconteceu na Venezuela — porque, na verdade, foi muito contido —, esta calma continuará sendo uma potência contra [a direita].
O único que é grande o suficiente para parar [Trump] e dizer “chega” aos Estados Unidos é o Brasil.
